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Alimentação também é educação

Alimentação também é educação

25 Jun 2019

A alimentação é essencial para a sustentação da vida e a principal responsável pelo desenvolvimento do organismo e seu bom desempenho. Um cardápio variado e equilibrado em seus nutrientes é indispensável tanto para o aspecto físico, como para o mental.
Para tratar do assunto, a Revista CLQ entrevistou Renata Cocozza Felipe, proprietária do Aqua Frozzen & Gastronomia, responsável pelas refeições oferecidas aos alunos da Unidade Água Seca.

Como você definiria, em poucas palavras, alimentação saudável?

“Alimentação saudável” é a prática de uma alimentação variada, nutritiva e adequada que promove a saúde, o bem-estar e a sociabilidade. O alimentar-se bem envolve o que comemos, como e onde comemos e o que desenvolvemos enquanto comemos. Horários, rituais, escolhas dos ambientes e calma ao comer são fatores tão importantes quanto a escolha dos alimentos que ingerimos.
Refeição boa e equilibrada é aquela que preza a família, os amigos, as emoções e os sentimentos e alimento bom é aquele que plantamos, colhemos e descascamos, promo-vendo, assim, a relação com o meio ambiente.
Comer bem é cuidar de si, do outro e da sociedade. Ser saudável é estar atento ao alimento, à redução do lixo e ao desperdício, é estar em sintonia com os nossos valores e poder afirmar nossa identidade enquanto seres sociais integrais.

Qual o compromisso do Aqua em relação à alimentação saudável no Colégio?

Estamos no Colégio CLQ desde 2011. Nossa função é servir uma alimentação alinhada à proposta da escola, de proporcionar aos alunos alimentos frescos, variados, nutritivos, com redução de açúcar, sal e gorduras e sem aditivos químicos, ou seja, uma alimentação saudável.
Trabalhamos no refeitório como extensão da sala de aula estimulando nos alunos cuidados com a saúde e o bem-estar através da alimentação.
A educação alimentar na infância beneficia e solidifica bons hábitos, promovendo futuramente a confiança e a autonomia nas escolhas. Para isso, estamos atentos e envolvidos com os alunos desde o momento da produção dos cardápios até a hora das refeições. Ao servir o alimento interagimos e promovemos a conscientização para uma alimentação colorida, adequada. Esse trabalho estende-se à orientação e atendimento aos pais, sempre que necessário.
Além disso, oferecemos treinamentos aos professores e auxiliares que acompanham as refeições dos alunos, com temas que envolvem a segurança alimentar, a alimentação e a promoção da saúde e a nutrição comportamental (abor-dagem científica da nutrição que inclui os aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação).

Como é feito o trabalho com as crianças?

Promovemos com os alunos, através do diálogo e de forma criativa, o despertar da consciência ao tratar o alimento com cuidado. Pensamos juntos no plantio, no cultivo, nas tradições, nas culturas e nas heranças familiares dos alimentos. Os alunos trazem de casa as lembranças das refeições com suas famílias e, na escola, incentivamos a troca, mandando receitas ou preferências de consumo.
Como sabemos, alimento é cultivo de afeto, de valores e de sentimentos. Portanto, incentivamos o toque, o sentir, o provar das novas texturas e sabores dos alimentos que se apresentam nas refeições. Buscamos o despertar do contato com o alimento em diferentes esferas sensoriais: criança aprende a comer, comendo.
A calma no refeitório é indispensável para que os alunos possam se alimentar com tranquilidade e socializar durante as refeições. A socialização no ato de se alimentar os ajuda a sentir melhor a saciedade, contribuindo, ainda, na digestão.
Icentivamos comer uma variedade maior de alimentos, com pratos coloridos. Os recusados são oferecidos nova-mente em outras ocasiões, pois sabemos que, na maioria das vezes, precisamos provar muitas vezes o mesmo alimento para saber se gostamos ou não dele. Fatores como a luz, o estado emocional ou o clima podem influenciar no paladar. Muitas vezes mudar a apresentação de um ingrediente, como o corte do legume, ou mesmo a frequência, faz com que aluno passe a aceitar o alimento.
O trabalho é “de formiga”, um pouco por dia, sempre com muita criatividade, paciência e diálogo para a promoção da saúde e dos bons hábitos alimentares.
Comida é alimento para o corpo e para a alma. E o aprendizado em torno da alimentação é fundamental para a vida, conhecimento que não se perde quando adquirido na primeira infância.

Como os cardápios são elaborados?

Ao produzirmos os cardápios pen-samos em opções que atendam os gostos e as necessidades (médias) nutricionais de cada criança conforme sua faixa etária. Seguimos, também, as orientações do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Ao longo desse tempo no CLQ, já deu para perceber mudanças comportamentais no hábito alimentar das crianças?

Deu sim, percebemos, por exemplo, alunos abrindo a vagem para encontrar a fava que tem dentro, logo reconhecemos que eles passaram por nossas histórias em torno da alimentação.
Notamos que atualmente os alunos consomem mais frutas, tanto em quanti-dade, como em variedade, em relação ao que consumiam antes. Vimos, também, muitas caretas ao provarem frutas como tamarindo e caju.
Outro exemplo é a introdução de novos itens ao cardápio, como aconteceu com o cuscuz e com o pepino em palito nos lanches. Repetimos algumas vezes e viraram preferência da maioria!
Os alunos socializam e influenciam uns aos outros, explicando o que devemos comer e porquê, e os motivos são os mais variados!

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